Um projeto inédito de pesquisa sobre artes cênicas e cultura popular em Alagoas busca preservar as memórias das tradicionais Danças de Quilombo e registrar manifestações afro-indígenas ligadas ao bairro de Bebedouro, em Maceió. A iniciativa é conduzida pela artista e pesquisadora Allexandrëa Constantino e foi selecionada pelo edital Cultura em Movimento, vinculado ao Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS).Intitulada “Danças de Quilombo – XVII/XVIII – Pesquisa, Preservação e Salvaguarda”, a pesquisa teve início em abril de 2026 e propõe recuperar histórias, personagens, coreografias e dramaturgias ligadas às manifestações culturais que marcaram bairros e cidades alagoanas desde o século XVIII. O estudo reúne fontes bibliográficas, jornais, fotografias, vídeos e relatos orais, além de pesquisas de campo em municípios como União dos Palmares, Limoeiro de Anadia, Marechal Deodoro e Viçosa.Natural de Bebedouro, Allexandrëa afirma que o projeto também busca preservar parte da memória cultural afetada pelo afundamento do solo causado pela mineração de sal-gema em Maceió. Segundo ela, Bebedouro foi um dos principais territórios das Danças de Quilombo na capital alagoana, mas muitas dessas práticas acabaram desaparecendo ao longo do tempo devido à perseguição histórica, ao deslocamento de moradores e ao envelhecimento de mestres e mestras da cultura popular.A pesquisadora destaca que o trabalho pretende fortalecer as artes cênicas alagoanas e ampliar o reconhecimento das teatralidades afro-diaspóricas e indígenas brasileiras. A proposta inclui a produção de artigos acadêmicos, catalogação de registros históricos, publicação de um livro e parcerias com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal).Com mais de 28 anos de atuação artística, Allexandrëa Constantino desenvolve pesquisas sobre performance, dança, audiovisual e cultura afro-indígena. Em 2026, também lança o curta ficcional “QUEBRA”, inspirado em memórias e narrativas ligadas à história cultural de Alagoas.






