A Polícia Federal suspeita que um esquema de desvios de emendas parlamentares investigado pela Operação Transparência contava com o aval da Presidência da Câmara dos Deputados. A informação consta na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões em bens atribuídos ao ex-deputado Eduardo Cunha.Segundo a investigação, a servidora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, teria atuado com “pleno aval” da Presidência da Casa para direcionar recursos de emendas em favor de Eduardo Cunha. A decisão afirma que há indícios de uma relação entre o caso e investigações sobre o chamado “orçamento secreto”, apontando um elevado grau de irregularidade na destinação dos recursos públicos.Além do bloqueio patrimonial, Flávio Dino determinou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, apresente, no prazo de dez dias, toda a documentação relacionada à tramitação das emendas citadas pela Polícia Federal, de forma individualizada.Em nota, Eduardo Cunha negou qualquer irregularidade. O ex-deputado afirmou que não exerce mandato parlamentar e, por isso, não apresentou nem formalizou as emendas investigadas. Segundo ele, as indicações foram feitas por parlamentares, bancadas e órgãos competentes, únicos autorizados a atuar no processo orçamentário. Cunha também declarou que sempre pautou sua atuação pública pela legalidade e pela probidade administrativa.






