O Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e manteve a prisão preventiva decretada no âmbito da Operação Vérnix, que investiga crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O mandado foi cumprido no mesmo dia da prisão da influenciadora Deolane Bezerra durante a operação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo.A decisão unânime da 16ª Câmara de Direito Criminal concluiu que há indícios suficientes de autoria, provas da materialidade dos crimes e risco concreto à ordem pública. Conforme o acórdão, as investigações apontam que uma empresa de transportes teria sido utilizada para ocultar recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital. Relatórios de inteligência financeira, análises de celulares e quebras de sigilos bancários e telemáticos indicariam que Marcola exercia controle indireto sobre a empresa, mesmo estando custodiado em um presídio federal de segurança máxima, figurando como beneficiário final de movimentações financeiras realizadas por terceiros.A defesa, representada pelo advogado Bruno Ferullo, alegou que a nova prisão seria desnecessária, já que Marcola cumpre pena em unidade federal, além de apontar suposta falta de fundamentação individualizada, ausência de contemporaneidade dos fatos e demora na realização da audiência de custódia. Os desembargadores, no entanto, rejeitaram todos os argumentos e consideraram que a decisão de primeira instância foi devidamente fundamentada com base nos elementos reunidos durante a investigação.O colegiado destacou ainda que o fato de o investigado já estar preso não impede a decretação de nova prisão preventiva quando há indícios de continuidade das atividades criminosas a partir do sistema prisional. Para os magistrados, a suposta atuação da organização mesmo com seus integrantes encarcerados e a reincidência criminal de Marcola reforçam a necessidade da medida cautelar.Após a decisão, a defesa de Marcola, de seu irmão Juvenal Camacho e dos sobrinhos Paloma e Leonardo Camacho, também investigados na operação, afirmou que respeita o entendimento do tribunal, mas discorda da decisão sob o aspecto jurídico. Segundo os advogados, os habeas corpus discutiam apenas a legalidade das prisões preventivas, sem análise do mérito das acusações, e a defesa recorrerá às instâncias superiores para tentar reverter a decisão.






