O governo Lula avalia que a bancada do MDB teve papel decisivo na rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em um movimento interpretado internamente como articulação política para barrar a indicação do atual presidente.De acordo com a leitura do governo, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), teriam atuado nos bastidores para enfraquecer o apoio a Messias. O objetivo, segundo essa avaliação, seria abrir espaço para a indicação de Bruno Dantas, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e aliado político de Calheiros, a uma futura vaga no STF.O mapeamento de votos feito pelo governo indicava o apoio integral dos nove senadores do MDB à indicação. No entanto, após o resultado, a conclusão no Planalto é de que ao menos oito integrantes da bancada votaram contra Messias no plenário, número suficiente para alterar o desfecho. Caso tivesse obtido esses votos, o indicado teria sido aprovado.A movimentação é lida por aliados do governo como uma rachadura dentro da base, com forte influência do grupo político liderado por Renan Calheiros, interessado em reposicionar forças na disputa por indicações ao STF. A articulação envolveria a construção de um cenário favorável ao nome de Bruno Dantas, considerado um nome muito próximo aos Calheiros.Membros do MDB, por sua vez, rejeitam a tese de traição e afirmam que a derrota do governo reflete falhas na articulação política e na leitura do cenário no Senado. Ainda assim, nos bastidores, a avaliação no Planalto é de que o episódio expôs uma disputa direta para ver quem tem mais influência nas futuras vagas do STF.






