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“Preto não é juiz”: desembargadora relata episódio de racismo estrutural em supermercado de Cuiabá

A desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23), relatou ter sido alvo de um episódio que classificou como manifestação de racismo estrutural durante uma ida a um supermercado em Cuiabá, no Mato Grosso.Segundo a magistrada, o caso ocorreu no último domingo (17), enquanto fazia compras após uma caminhada matinal. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou ter sido abordada de forma insistente por uma cliente que a confundiu com funcionária do estabelecimento e passou a solicitar informações sobre produtos e localização de itens.A desembargadora explicou que estava sem a toga e vestia roupas esportivas no momento da abordagem, mas destacou que o episódio revelou uma percepção social enraizada que associa pessoas negras prioritariamente a funções de serviço.“A lógica diz: preto não ocupa espaços de poder. Preto não é juiz, preto não é desembargador”, afirmou a magistrada ao refletir sobre o episódio.Para Adenir Carruesco, a situação ultrapassa uma atitude individual e expõe um padrão estrutural marcado pela baixa representatividade da população negra em espaços de autoridade, especialmente nos tribunais e cargos da magistratura.A desembargadora avaliou ainda que o problema central não está apenas na conduta da cliente, mas em uma construção social que, segundo ela, ainda resiste em reconhecer pessoas negras ocupando posições de liderança e decisão.Após a repercussão do caso, o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região divulgou nota de solidariedade à magistrada.No comunicado, o tribunal destacou a atuação de Adenir Carruesco na promoção de políticas voltadas à igualdade racial e lembrou que ela presidiu o TRT do Mato Grosso entre 2024 e 2026. A instituição reafirmou o compromisso com o combate ao racismo estrutural e defendeu o enfrentamento permanente de práticas discriminatórias.“O TRT reafirma seu compromisso com a promoção da igualdade racial, da dignidade humana e do respeito à diversidade, reforçando a necessidade da construção contínua de uma sociedade mais justa, inclusiva e igualitária”, informou o tribunal.

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