O Partido Liberal (PL) decidiu intensificar a oposição à PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 e pretende transformar o debate em uma das principais frentes políticas da legenda nos próximos meses. A avaliação interna é que a oposição demorou a reagir ao tema, considerado uma das principais bandeiras do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o cenário eleitoral deste ano.Nos bastidores, aliados admitem que a pauta não vinha sendo tratada como prioridade pela legenda, inclusive pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), diante da percepção de que o tema não mobilizava com força o eleitorado conservador.Com a crise provocada pela divulgação da relação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, entretanto, integrantes do partido passaram a enxergar o debate sobre a jornada de trabalho como uma oportunidade para reposicionar o discurso político e apresentar alternativas à proposta defendida pelo governo.O primeiro movimento ocorreu nesta terça-feira (19), quando Flávio divulgou uma nota criticando a PEC discutida na Câmara dos Deputados e, posteriormente, voltou ao tema durante discurso na XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).“O Brasil mudou, o mundo do trabalho não é mais o mesmo da década de 1940. Todos querem trabalhar menos e ganhar mais, mas uma mudança feita sem planejamento pode gerar impactos relevantes para os municípios”, afirmou o senador durante o evento.Como contraponto ao modelo 5×2 defendido por setores favoráveis à proposta, Flávio tem defendido alternativas como manutenção da escala 6×1, pagamento por hora trabalhada e formatos mais flexíveis de jornada.Nos bastidores do partido, aliados avaliam que o governo conseguiu dominar o debate sobre a redução da jornada sem enfrentar resistência significativa no Congresso. Agora, a estratégia é ampliar a atuação da bancada do PL para marcar posição política em torno do tema.Apesar disso, parlamentares da oposição reconhecem que a reação ocorre tardiamente e que a pressão dificilmente alterará de forma significativa a tramitação da proposta na Câmara. A expectativa da legenda é concentrar maior resistência quando o texto chegar ao Senado.A PEC segue em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados. O relator da matéria, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), adiou a apresentação do parecer para a próxima semana alegando necessidade de ajustes, principalmente sobre regras de transição e adaptação das mudanças. A votação, inicialmente, permanece prevista para os próximos dias.






