A operação Estágio IV, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada e que investiga desvio de mais de R$ 100 milhões na secretaria de Saúde do Governo Paulo Dantas, pode chegar a pessoas mais pertos do governador do que o próprio secretário Gustavo Pontes, afastado do cargo por decisão judicial.
A primeira-dama de Alagoas, Júlia Britto, e sua prima, Rafaella Britto Toledo, receberam pagamentos significativos do Fundo Estadual de Saúde (SESAU), totalizando mais de R$ 1 milhão em valores já pagos, com Júlia recebendo por “Regulação de Leitos” e Rafaella por coordenação na Oncologia e outros programas.
Segundo dados oficiais do Governo de Alagoas, Rafaella recebeu repasses que somam mais de R$ 812 mil desde 2021, incluindo pagamentos mensais por funções no Centro de Diagnóstico e Imagem (CEDIM/UNCISAL) e no Programa Emergencial de Oncologia, além de valores do programa “Saúde Até Você”.
Apesar da prima da primeira-dama ter recebido pagamentos por seu trabalho no Programa Emergencial de Oncologia, o Complexo Hospitalar Manoel André (Hospital CHAMA), Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) da 2ª Macrorregião de Saúde do estado, cobra uma dívida da Sesau no valor de R$ 6,6 milhões.
O atraso acumulado compromete a continuidade do tratamento de câncer de uma população estimada em mais de um milhão de habitantes, distribuídos em 47 municípios do Agreste e Sertão alagoano. O Ministério Público Federal (MPF) reiterou, na quinta-feira (18), o pedido de concessão de medida liminar na Ação Civil Pública) ajuizada em 12 de dezembro contra o Estado de Alagoas, para obrigar a regularização imediata desses repasses financeiros.
A secretaria de Saúde do governo Paulo Dantas está sendo investigada por desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro, envolvendo contratos emergenciais, pagamentos indevidos e ressarcimentos superfaturados de procedimentos do SUS que não teriam sido realizados.






