O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), reagiu com dureza à declaração do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que classificou como “abuso eleitoreiro” o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Marquês de Sapucaí. Para Boulos, a crítica revela incoerência e tentativa de desviar o foco de práticas adotadas pelo próprio prefeito.
Em publicação na rede social X, o ministro acusou Nunes de ter usado a máquina pública de forma “escandalosa” para garantir sua reeleição em 2024. Boulos também citou o apoio do governador paulista na campanha e afirmou ter sido alvo de acusações infundadas no dia da votação. “Toma vergonha, Ricardinho!”, escreveu, em tom agressivo, ampliando a repercussão política do desfile carnavalesco.
O desfile da Acadêmicos de Niterói chamou atenção ao apresentar a ala “Família em Conserva”, que retratou grupos conservadores como latas de conserva, em referência a setores neoconservadores contrários a Lula. A alegoria provocou reação imediata de líderes políticos e religiosos, que classificaram o conteúdo como ofensivo e ideologicamente direcionado, intensificando o debate sobre limites entre arte, política e campanha eleitoral.
Diante das críticas, o Partido dos Trabalhadores divulgou nota afirmando não haver qualquer fundamento jurídico nos pedidos de inelegibilidade contra Lula. Segundo a sigla, o enredo é expressão legítima da liberdade artística e cultural, garantida pela Constituição, sem participação ou financiamento do partido ou do presidente. O PT citou ainda a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, reforçando que manifestações espontâneas em eventos culturais não configuram propaganda irregular.






