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Itamaraty admite risco de ação militar dos EUA no Brasil após classificação de PCC e CV como terroristas

O Ministério das Relações Exteriores reconheceu, em documento encaminhado à Câmara dos Deputados, que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode abrir margem para uma eventual ação militar norte-americana em território brasileiro.A manifestação consta em ofício assinado pelo chanceler Mauro Vieira na última quarta-feira (1º), em resposta a um Requerimento de Informação apresentado pelo deputado federal Evair de Melo (Republicanos-ES). O parlamentar solicitou esclarecimentos sobre os impactos da decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos.Segundo o Itamaraty, a medida não deve trazer benefícios práticos para a cooperação entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado, uma vez que as facções já eram enquadradas pelos norte-americanos como organizações criminosas transnacionais, condição que já permite intercâmbio de informações e outras formas de colaboração entre os países.O ministério também afirma que a classificação como organizações terroristas amplia a margem de aplicação da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos, podendo gerar consequências para cidadãos brasileiros nas áreas financeira, migratória e penal.No documento, o Itamaraty destaca ainda que, em tese, existe a possibilidade de utilização de força militar norte-americana em território brasileiro. Segundo a pasta, essa hipótese decorre da amplitude dos dispositivos previstos na legislação de contraterrorismo dos Estados Unidos.Em relação à posição oficial do governo brasileiro, Mauro Vieira explicou que não houve manifestação diplomática porque a classificação foi uma decisão unilateral das autoridades americanas e não foi precedida de comunicação formal ao Brasil. Apesar disso, o chanceler informou que o Itamaraty tem reforçado, por meio de canais diplomáticos, o compromisso brasileiro com o combate ao crime organizado e a importância da cooperação internacional nessa área.A classificação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras entrou em vigor em 5 de junho. Antes disso, em maio, o Departamento de Estado dos EUA já havia enquadrado as facções como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, alegando que os grupos atuam além das fronteiras brasileiras e mantêm vínculos com o tráfico internacional de drogas.Na última quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos também anunciou sanções contra dois brasileiros e três empresas por supostos vínculos financeiros com o PCC. Entre os alvos está o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como responsável por movimentar milhões de dólares para a organização criminosa por meio de criptomoedas. A Polícia Federal deflagrou, na sexta-feira (3), a Operação Exchange para cumprir mandados relacionados ao caso. Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa durante a ação, enquanto Shimada segue foragido.

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