A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, nesta segunda-feira (15), a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, e dois médicos-veterinários investigados por um suposto esquema que envolvia a realização de eutanásias consideradas irregulares em cães e gatos, além do desvio de recursos arrecadados para tratamentos que, segundo a apuração, nunca chegaram a ser realizados.As investigações começaram em 2025 e apontam que os animais recolhidos pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Animal eram submetidos à eutanásia mesmo em situações em que existiam alternativas terapêuticas. Conforme a Polícia Civil, ao menos 478 procedimentos foram realizados em um período de oito meses, número considerado incompatível com o perfil dos animais atendidos e superior aos índices registrados em anos anteriores.De acordo com a investigação, a ex-secretária utilizava sua imagem pública como protetora de animais para arrecadar doações por meio de campanhas e vaquinhas virtuais destinadas, supostamente, ao tratamento de cães e gatos resgatados. Em diversos casos analisados, porém, os animais teriam sido sacrificados antes mesmo da confirmação de diagnósticos ou da adoção de medidas terapêuticas recomendadas por profissionais da própria secretaria.Um dos episódios citados pela polícia envolve uma cadela com suspeita de cinomose. Segundo os investigadores, uma veterinária informou que seria possível realizar exames para confirmar a doença e iniciar tratamento, mas a eutanásia teria sido autorizada antes da conclusão dos procedimentos. Paralelamente, pedidos de doação para custear o tratamento do animal continuavam sendo divulgados nas redes sociais.A Polícia Civil também apura situações semelhantes envolvendo outros animais com doenças passíveis de tratamento, como casos suspeitos de esporotricose. Para os investigadores, a prática permitia a captação de recursos sob a justificativa de custear tratamentos veterinários que não eram efetivamente realizados.As apurações indicam ainda que o esquema teria continuado mesmo após a exoneração de Paula Lopes da secretaria, em agosto de 2025. Segundo a polícia, as atividades passaram a ser concentradas em um sítio utilizado por uma organização não governamental ligada à investigada.Levantamento da investigação aponta que, desde 2020, mais de 500 campanhas de arrecadação foram realizadas, movimentando cerca de R$ 670 mil em doações feitas por aproximadamente 15 mil pessoas.Durante a operação, além das prisões, foram apreendidos celulares, computadores e documentos que serão analisados pela polícia. Também foi resgatado o cão conhecido como “Dudu”, utilizado em publicações para campanhas de arrecadação nas redes sociais.O caso segue sob investigação para apurar a extensão do esquema, o destino dos recursos arrecadados e a quantidade de animais que podem ter sido vítimas das irregularidades.






