As primeiras declarações do regime iraniano após a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo indicam uma postura mais agressiva na guerra no Oriente Médio, com promessas de ampliar ataques com mísseis e reduzir ainda mais o espaço para negociações diplomáticas.
O comandante das Forças Aeroespaciais da Guarda Revolucionária do Irã, o brigadeiro-general Majid Mousavi, afirmou que os novos ataques utilizarão armamentos mais pesados. Segundo ele, os próximos disparos terão ogivas superiores a uma tonelada, ampliando o alcance e o poder destrutivo das ofensivas iranianas contra alvos ligados a Israel e aos Estados Unidos.
Até agora, drones e mísseis lançados por Irã atingiram alvos em Israel e em países do Golfo, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, além de áreas do Curdistão iraquiano com presença militar americana.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohammad Naeini, declarou que o desfecho do conflito “está nas mãos do Irã”, e não do presidente americano Donald Trump. Ele também ameaçou bloquear o tráfego de petróleo pelo estratégico Estreito de Ormuz enquanto continuarem os ataques dos EUA e de Israel ao território iraniano.
Mojtaba Khamenei foi escolhido líder supremo após a morte de seu pai, Ali Khamenei, durante bombardeios no início da atual guerra. Formado religiosamente na cidade de Qom, ele tem fortes vínculos com setores conservadores e com a Guarda Revolucionária, considerada uma das principais forças militares do país.
Diplomatas iranianos também indicaram que negociações com Washington não estão entre as prioridades do novo líder. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que, diante do que chamou de “ameaça existencial” à República Islâmica, o país deve priorizar a defesa militar e a resistência no conflito.
A sucessão em meio à guerra e o tom mais duro adotado pelas autoridades iranianas ampliam o temor de uma escalada regional ainda maior no Oriente Médio.






