O advogado criminalista Rafaell Roque relatou ter recebido novas ameaças após ser sequestrado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), na Baixada Santista, em São Paulo. Segundo ele, três dias após ser libertado, foi informado de que a facção havia decretado sua morte. O sequestro ocorreu em 11 de junho, quando Roque foi mantido por cerca de seis horas em um cativeiro em Cubatão.De acordo com o advogado, ele foi atraído para uma emboscada após receber uma ligação de um homem que se identificou como “Bel” e pediu atendimento jurídico para uma pessoa detida. No cativeiro, Roque afirmou ter encontrado cerca de 30 integrantes do PCC presencialmente e outros 10 a 20 acompanhando a situação por videochamada. Os criminosos queriam que ele revelasse o endereço de um cliente acusado de furtar um integrante da facção e também pressionaram o advogado a abandonar a defesa em uma disputa envolvendo três quiosques de peixe no Guarujá.Roque disse que foi ameaçado de morte, teve o celular tomado e seus dados acessados, mas não sofreu agressões físicas diretas. Para conseguir sair, simulou estar passando mal e prometeu cumprir as exigências do grupo. Após a libertação, continuou recebendo mensagens e ligações de criminosos que cobravam documentos que comprovassem sua saída do processo. Ele manteve contato para ganhar tempo e repassar informações ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).O caso resultou na Operação Patrocínio Fiel, realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco, em conjunto com a Polícia Militar. Foram cumpridos sete mandados em cidades de São Paulo e Santa Catarina, com três suspeitos presos e um quarto morto em confronto. Celulares, arma, munições e drogas também foram apreendidos.A Subseção de Cubatão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu providências às autoridades de segurança e ao Ministério Público. A entidade afirmou que ameaças e tentativas de coação contra advogados em razão de sua atuação profissional atingem não apenas os profissionais, mas também o direito de defesa e o funcionamento da Justiça.






